quarta-feira, 24 de junho de 2026

Por que tu não esta entrando na nova edição do RPG ? Desaprendeu a ler?

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Resposta: "Ainda sei ler, mas mão quero ler outro livro de sistema." 

É minha resposta oficial.

  Eu não tenho mais idade pra ler livro de sistema Legado/Baseado em outro. Eu sei que parece abrupto mas não é.

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  Essa é uma frase que pode ser meio que polêmica nos grupos de RPG e muito desagradável para algumas pessoas que costumam dizer que esse é o tipo de hobby que precisa de muita leitura. Mas na verdade, eu não tenho mais paciência pra ler livro. É uma verdade que muitas pessoas não entendem, que com a idade e o tempo, cada vez mais escasso ,se torna desprazeroso o hábito forçado da leitura. 

  Não a questão de ler o livro em si, mas de ter que decifrar várias e várias formatações mirabolantes que tentam ser mais interessantes ou mais inteligentes que as formatações clássicas anteriores. Livros com páginas completamente coloridas, informações confusas, regras misturadas com Lore, coisas que realmente são difíceis de ser entendidas numa primeira leitura de autores que costumam dizer que o antigo não é mais legal, que agora o legal é o novo, que suas regras, que nada mais são do que releituras de regras que já foram criadas pra vários sistemas, são regras melhores quando na verdade são apenas a versão que eles mesmos gostam de usar. 

Por experiência própria, cada livro de RPG que eu abri, li, interpretei até o dia de narrar, tinha mesmos conceitos básicos um teste ou um teste que deveria ser superado ou um teste que deveria ser comparado com um número alvo contra uma rolagem de dados, seja ela uma rolagem de dados simples ou uma rolagem de dados complicada. Tudo se resumia a isso. Porém, a cada poucos anos, um novo livro é lançado, tentando reinventar a roda, refazer aquilo que já foi feito de uma forma diferente, mas ao mesmo tempo não mexendo muito no que era necessário pra se tornar igual. Eu estou cansado de ler livro, eu estou cansado de ter que me lembrar de que regra é de qual sistema, quando na verdade nós só jogamos um sistema a vida toda, dividido em varias "Edições". A maioria das pessoas esquece que quando sai uma nova edição, a edição antiga continua existindo. Os jogadores que gostam de jogar aquele jogo continuam gostando e que ninguém tem a obrigação de mudar pra nova edição, só porque um fulano ou um ciclano insistem que ela é melhor, quando na verdade ela só é uma nova roupagem pra algo que já existia há muito tempo.

  Um exemplo que até hoje me deixa muito contrariado com relação a novas edições é o caso de um jogo nacional chamado Terra Devastada. 

 O Terra Devastada, primeiro volume, foi escrito de uma forma muito bem escrita. Ele mesclava contos com regras. Dessa forma, você lia um conto e, em seguida, lia um capítulo de regras, criando um ritmo de leitura muito bom. O ritmo era tão bem escrito que eu acabei lendo o livro inteiro em apenas uma hora, uma única hora, e o ritmo de leitura era constante, mesclando entre contos e regras. Ao chegar no final do livro, nem tinha me percebido que já havia se passado uma hora. De tão boa foi a leitura. Porém, ao lançamento da sua nova edição, edição Apocalipse, o estilo de leitura foi completamente quebrado. Ao invés de uma leitura de crônica e conto, foi transformado em um estilo de "jornal informativo". Dessa forma, o primeiro capítulo era tão enfadônio quanto uma matéria jornalística real, tão mal escrito e tão pouco interessante que eu não consegui terminar de ler o primeiro capítulo inteiro. As informações que na primeira edição eram bem vagas e davam margem para interpretação pessoal foram explicadas milimetricamente, dando nomes, referências, datas e outras informações não solicitadas, ao ponto de que uma leitura que deveria se passar em dez minutos se estendeu por uma narrativa enfadônia de quase duas horas. Era impossível de se ler rápida e de forma agradável, se tornando uma das piores leituras que eu já pus nos meus olhos. Este não foi o único caso de uma segunda edição que destruiu completamente a sua primeira edição por tentar se tornar maior, melhor e mais elaborado, pois ao tentar se tornar mais "diferente", mais elaborado, mais detalhado, mais qualquer coisa, acabou perdendo a sua principal fonte de criatividade, o mistério do surto, uma edição que eu me arrependi de comprar. Hoje a primeira edição não está mais a venda mas que a tem não se desfaz.

    Isso é um reflexo de uma prática de muitas editoras brasileiras. Ao invés de fazer uma reimpressão de um livro que vendeu muito, anunciam uma nova edição do mesmo jogo. O pensamento é simplório (e estúpido em muitos casos). Se lançarmos uma nova edição, todas as pessoas que compraram a primeira serão obrigadas a comprar a segunda. Desta forma, não vamos vender só pras pessoas que estão procurando a primeira edição e não conseguiram comprar. Vamos vender de novo pra todo mundo que já comprou. Esse pensamento acaba fazendo com que o investimento que deveria ser em uma simples reimpressão, com venda garantida, acabasse se tornando muitas vezes maior e em um item que será sondado e possivelmente esnobado ou simplesmente não terá o mesmo valor que a edição anterior. No caso do Terra Devastada, quem possui a primeira edição não vende nem troca pelo fato de ser um jogo com tudo que precisava para agradar jogadores do gênero. A segunda edição tentou ser maior e melhor entupindo o texto de informações não solicitadas, eu já passei pra frente há muito tempo e vez ou outra vejo pessoas a vendendo em valor inferior ao do financiamento coletivo, pois sabem que é apenas um livro que tentou explicar tudo que não tinha explicação na primeira edição e por isso falhou miseravelmente em ser mais popular ou até mesmo tão divertido quanto a original. É por coisas assim que eu cansei de ler livros novos das mesmas edições. 


  Considerando que a maioria das vezes é apenas a reinvenção da roda, e eu não utilizo esse termo levianamente, eu cansei de ler as mesmas regras com novas roupagens. 

 Eu cansei de ler o mesmo texto em diagramações diferentes. 

 Eu cansei de ler as mesmas terminologias com nomes trocados pra agradar fulano ou ciclano que acha um novo nome melhor.

D&D5


 "Eu cansei de ler livro de regra, quero jogar e me divertir, se ler um livro atrapalha essa diversão, estão me recuso de ler outro livro de regras." 

     Um desabafo de um narrador de rpg que cansou de reler livros de regras ao invés de jogar.